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SOBRE

Lucas Estevan Soares

Introdução

Por que estamos apresentando modelos de distribuição?

O Coritiba está entrando em um território que clubes de ponta, streamings e produtoras já exploram há alguns anos: o futebol como produto audiovisual de alto valor.

Séries como “All or Nothing”, “Sunderland Til I Die”, “Welcome to Wrexham” e “Drive to Survive” mostraram que documentários esportivos:

  • não são apenas “conteúdo”

  • são ativos, patrimônios e produtos de mídia

  • geram receita, posicionamento, reputação e torcida global

Por isso, não existe um único modelo de operação — existem modelos de mercado já testados e consolidados, que combinam produção, distribuição, patrocínio e exploração comercial de forma estratégica.

Por que não se trata de um "serviço de filmagem"?

Séries documentais de futebol não são:

  • simples prestação de serviço

  • filmagem para marketing

  • conteúdo institucional pontual

Elas são:

  • Produtos de entretenimento

  • Obras audiovisuais

  • Ativos de marca

  • Propriedade intelectual (IP)

  • Ferramentas de monetização de longo prazo

Portanto, o modelo “serviço puro” é possível, mas é o menos inteligente financeiramente para o clube, porque trata algo com alto potencial de retorno como se fosse apenas um custo pontual.

Primeiro ponto fundamental

Investir na produção não significa ter 100% do potencial econômico da obra.

No padrão global do audiovisual — inclusive em clubes europeus, ligas e grandes ligas esportivas — funciona assim:

  • quem investe paga pela produção;

  • mas o valor real da obra está em tudo o que vem depois:
     

    • patrocínios,

    • naming rights,

    • licenciamento,

    • TVOD (venda/aluguel digital),

    • spin-offs,

    • produtos derivados,

    • distribuição internacional,

    • conteúdos educacionais e B2B.

Ou seja, produção é uma camada.
Exploração comercial e distribuição são outras camadas, com dinâmica própria, riscos próprios e oportunidades próprias.

Pagar pela filmagem não inclui:

  • marketing,

  • distribuição,

  • comercialização,

  • relacionamento com plataformas,

  • negociação com patrocinadores da série,

  • nem a manutenção do produto por anos.

Esses são outros trabalhos e outros negócios, que podem ou não ser ativados conforme a estratégia do clube.

Exemplo realista

Imagine o seguinte cenário:

  • O Coritiba investe R$ 5 milhões na produção das Temporadas 1 e 2.

  • O clube vende cotas de patrocínio da série (Naming Rights, Cota Master, Premium, Apoio etc.) e arrecada, por exemplo, R$ 6,8 milhões ao longo de 1 a 2 anos.

  • Além disso, a obra ainda pode gerar licenciamento, TVOD, spin-offs e produtos derivados.

Na prática:

  • o Coritiba recupera uma parte relevante do investimento em produção;

  • torna-se dono vitalício da obra (para uso institucional e histórico);

  • cria patrimônio audiovisual que segue gerando valor por 10–15 anos;

  • transforma um custo em um ativo de marca e de receita.

O Coritiba não está comprando um custo — está investindo em um ativo que pode gerar retorno comercial, institucional e esportivo por mais de uma década.

Resposta à dúvida clássica do investidor

“Se eu pago, quero 100%.”

Sim, este é um modelo possível.

Mas, nesse formato, significa que:

  • o Coritiba fica com 100% da receita;

  • e também com 100% do trabalho, do risco e da operação comercial.

Ou seja, o clube passa a ser responsável por:

  • negociar com plataformas (streaming, TV, canais);

  • vender cotas comerciais da série;

  • ativar patrocinadores e cumprir contrapartidas;

  • montar e operar o plano de marketing da série;

  • gerir spin-offs e derivados;

  • montar arte, trailer, cortes, campanhas e plano de mídia;

  • lidar com plataformas digitais, dados e métricas de audiência;

  • sustentar o produto ao longo dos anos.

Quanto mais o clube quiser de receita sozinho, mais o clube terá que assumir de trabalho, risco e estrutura para sustentar esse projeto.

Tipos de receita – fixas x variáveis

Para garantir total transparência, é importante diferenciar dois tipos de receita que a série pode gerar:

  • Receitas Fixas (previsíveis)

  • Receitas Variáveis (dependentes de mercado)

Essa distinção evita expectativas irreais e permite que o Coritiba faça um planejamento financeiro realista e responsável.

1. Receitas fixas (previsíveis e comerciais)

São aquelas receitas que dependem exclusivamente do clube (e, se desejado, da IHC na parte estratégica), via venda de patrocínio e cotas comerciais da série. São consideradas previsíveis porque:

  • têm valor definido no momento da venda;

  • dependem apenas de negociação direta com marcas;

  • seguem uma tabela de entregas e contrapartidas claras;

  • são pouco sensíveis a fatores externos imediatos (bolsa, câmbio, etc.);

  • têm risco reduzido.

Exemplos de Receitas Fixas da Série:

  • Naming Rights da série;

  • Cota Master da série;

  • Cotas Premium da série;

  • Cotas de Apoio;

  • Cotas Especiais (ex.: “Base do Futuro”, “SAF & Negócios” etc.);

  • Ativações e eventos com patrocinadores da série;

  • Branded content derivado diretamente da série;

  • Patrocínios de episódios específicos.

Natureza das receitas fixas:

  • Valores definidos em contrato;

  • Entrada previsível em fluxo de caixa;

  • Impacto direto na redução do investimento do clube na produção;

  • Simples de mensurar e controlar.

2. Receitas variáveis (dependentes de mercado)

São receitas que não podem ser prometidas ou garantidas, porque dependem de fatores externos, interesse de terceiros, cenários específicos e o comportamento do mercado de conteúdo.

Essas receitas podem ser muito altas, moderadas ou até nulas, dependendo do contexto.

Exemplos de Receitas Variáveis:

  • TVOD (venda ou aluguel por episódio em plataformas digitais);

  • Licenciamento da série para plataformas ou canais;

  • Venda internacional (ou regional) da série;

  • Versões editadas para canais esportivos e especiais de TV;

  • Distribuição em pay-per-view ou pay-per-episode;

  • Venda posterior do acervo como arquivo histórico;

  • Produtos derivados licenciados (camisetas, livros, trilhas, colecionáveis).

3. Por que essas receitas são variáveis?

Receitas como TVOD e licenciamento dependem de fatores como:

  • apelo da série no mercado nacional e internacional;

  • momento esportivo do clube (alta, baixa, acesso, título, crise etc.);

  • interesse e orçamento das plataformas de streaming naquele período;

  • concorrência com outras séries esportivas;

  • impacto dos trailers e do plano de marketing;

  • timing de lançamento (calendário esportivo, mercado, mídia);

  • dados de audiência e engajamento;

  • percepção do Coritiba SAF e da Treecorp no mercado;

  • contexto econômico e midiático no momento da negociação.

Ou seja:

Ninguém sério pode prometer um valor fixo de TVOD ou licenciamento.
Essas receitas são 100% dependentes de mercado.

Natureza das receitas variáveis:

  • ⚠️ Podem gerar muito lucro;

  • ⚠️ Podem gerar receita moderada;

  • ⚠️ Podem gerar zero.

Por isso, não entram como fluxo garantido de caixa no orçamento base. Devem ser tratadas como oportunidade de upside, não como premissa.

Como o mercado realmente funciona (Padrão Internacional)

Quando falamos de exploração da obra (e não de venda de cotas), existem alguns modelos globais de referência:

1. Modelo “service-only” (serviço puro)

(O clube paga, a produtora entrega, sem participação futura.)

Usado quando o clube quer apenas um produto pronto, com foco institucional.

  • Direitos (IP):

    • Coritiba: 100%

    • IHC: 0%
       

  • Receitas futuras (patrocínios da série, licenciamento, streaming, TVOD etc.):

    • Coritiba: 100%

    • IHC: 0%
       

  • Trabalho da IHC:

    • Produz T1 e T2

    • Entrega os masters

    • Encerra a participação no projeto

Observação:
É o modelo mais simples, mas também o menos estratégico.
O clube fica com tudo, mas fica sozinho para vender, negociar, ativar e sustentar o projeto.

2. Modelo de coprodução (padrão Netflix / Amazon / Premier League)

(Ambos são co-proprietários da obra e dividem receitas futuras.)

É o modelo usado em:

  • All or Nothing (Prime Video),

  • Welcome to Wrexham (FX/Hulu),

  • Drive to Survive (Fórmula 1 + Netflix).

Vantagens:

  • maior capacidade de investimento e qualidade;

  • maior alcance e impacto global;

  • maior potencial de retorno financeiro;

  • risco e retorno compartilhados.

Estrutura típica:

  • Direitos (IP):

    • Coritiba: 50%

    • IHC: 50%
       

  • Receitas futuras (não cotas, mas exploração da obra):

    • Licenciamento: 50% / 50%

    • Spin-offs: 50% / 50% (Quando a produção não é realizada pelo IHC - mais comum em séries de ficção)

    • Merchandising da série: 50% / 50%

    • Eventos e experiências: 50% / 50%
       

  • Streaming (venda da série para plataforma):

    • 70% Coritiba / 30% IHC (padrão quando o clube é o investidor principal)

Observação:
Esse modelo incentiva a produtora a fazer a série crescer, ganhar público e gerar valor contínuo.

3. Modelo híbrido (padrão clubes europeus)

(IP conjunto, receitas divididas por categoria.)

Exemplo típico:

  • streaming → maior parte para o clube;

  • licenciamento secundário → dividido;

  • merchandising → dividido;

  • conteúdo institucional → 100% do clube.

É o modelo mais flexível, usado por clubes como:

  • Bayern de Munique,

  • PSG,

  • Benfica,

  • River Plate,

  • Atlético de Madrid.

Estrutura possível:

  • Direitos (IP):

    • Coritiba: 70%

    • IHC: 30%
       

  • Receitas futuras (não cotas, mas obra):

    • Licenciamento: 70% / 30%

    • Merchandising: 70% / 30%

    • Spin-offs: 70% / 30% (Quando a produção não é realizada pelo IHC - mais comum em séries de ficção)

    • Eventos: 70% / 30%
       

  • Streaming (venda para plataforma):

    • 80% Coritiba / 20% IHC

Observação:
O clube retém a maior parte do upside, mas ainda mantém a IHC como parceira criativa e comercial.

Modelo "pipeline inteligente" (híbrido recomendado)

(Modelo mais sofisticado, ajustado à realidade de SAF + produtora.)

  • Direitos (IP):

    1. Coritiba: 50%

    2. IHC: 50%
       

  • Receitas futuras (não cotas):
     

    1. Licenciamento / Streaming:

      • 70% Coritiba / 30% IHC
         

    2. Conteúdos institucionais / B2B (internos do clube):

      • 100% Coritiba
         

    3. Redes sociais (cortes, reels):

      • 100% Coritiba

      • com possibilidade de pacotes patrocinados específicos, a definir
         

    4. Spin-offs, minidocs e extensões da série:

      • 30% Coritiba / 70% IHC (Quando a produção não é realizada pelo IHC - mais comum em séries de ficção) Produções novas serão orçadas separadamente em novos contratos.
         

    5. Merchandising e produtos derivados:

      • 50% Coritiba / 50% IHC
         

Observação:
É um modelo que respeita o fato de que o clube é o investidor principal, mas reconhece o papel da IHC em criar, gerir e expandir o valor da obra.

Modelo clube 100% + fee de distribuição (IHC só agencia)

(Padrão para clubes que querem controle total, sem dividir IP.)

  • Direitos (IP):

    • Coritiba: 100%

    • IHC: 0%
       

  • Receitas futuras:

    • Coritiba: 100%

    • IHC: 0%
       

  • Fee de distribuição (se o Coritiba desejar que a IHC atue apenas vendendo licenciamento, TVOD etc.):

    • 25% a 30% sobre aquilo que a IHC efetivamente vender.

Observação:
A IHC não é dona de nada, só recebe comissão sobre aquilo que comercializar.
O clube assume toda a responsabilidade comercial e de longo prazo sobre a série.

Quadro-resumo dos modelos (exploração da obra, não cotas)

Patrocinadores atuais do Coritiba

Os patrocinadores atuais do Coritiba (já existentes hoje no clube) são 100% do Coritiba.

  • Se o Coritiba abordar um patrocinador atual para aparecer na série → 100% da receita é do Coritiba;

  • Se um patrocinador atual aparecer na série por contexto natural (uniforme, placas, CT etc.) → não há custo e não há divisão;

  • Se um patrocinador atual quiser ampliar sua presença na série → 100% da negociação e da receita é do Coritiba.
     

O IHC nunca participa de nada que já pertence ao clube.
O IHC só entra, se o clube quiser, na exploração futura da obra (licenciamento, TVOD, derivados), não nos patrocinadores atuais.

Venda de cotas da série – responsabilidade exclusiva do Coritiba

Toda venda comercial ligada às cotas da série (Naming Rights, Cota Master, Cotas Premium, Cotas de Apoio e Cotas Especiais) será realizada exclusivamente pelo Coritiba SAF.

Isso significa:

  • o Coritiba negocia diretamente com as marcas;

  • o Coritiba recebe 100% da receita das cotas;

  • o Coritiba cumpre 100% das contrapartidas comerciais;

  • a IHC não vende cotas e não recebe parte das cotas.

As cotas da série existem como um instrumento para o clube reduzir seu investimento líquido na produção, aproximando a série de um break-even ou até tornando-a superavitária.

Resumo Prático

  • O Coritiba escolhe o modelo de exploração da obra que deseja adotar.

  • A IHC se adapta à decisão do clube, com total transparência.

  • Patrocinadores atuais do Coritiba são 100% do clube.

  • Cotas da série são vendidas 100% pelo Coritiba, que fica com 100% dessa receita.

  • A participação da IHC, se houver, se dá apenas na exploração futura da obra (licenciamento, TVOD, derivados etc.), conforme modelo escolhido ou eventualmente acordado.

Fecho Educativo

O Coritiba não está apenas contratando uma filmagem.
Está entrando em um novo território de mídia — o território do conteúdo esportivo premium — onde a série pode se tornar um:

  • ativo comercial,

  • ativo institucional,

  • ativo histórico,

  • gerador de receita e de marca por muitos anos.

 

A seguir, apresentamos o Plano de Distribuição e as possibilidades concretas de exploração comercial, institucional e de relacionamento com a torcida e com o mercado.

Muito obrigado!

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